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'Vovô das embaixadas' recusa chuteira nova em volta ao Maracanã e quer Copa

Sentando em uma cadeira de metal na portaria do prédio onde mora, no Leblon, Jankel Schor tenta se lembrar da primeira vez que se apresentou no Maracanã. Em silêncio, força a memória enquanto observa a chuva do lado de fora. Para por dois minutos e desiste com um sorriso. O último show no estádio, porém, está bem vivo na memória do senhor de 86 anos. Jankel é o 'vovô das embaixadinhas' e está de volta ao palco que o transformou em espécie de celebridade.

Sem 'casa' desde que o Maracanã foi fechado para reformas visando a Copa do Mundo, em agosto de 2010, o imigrante russo adoeceu. Trocou as embaixadas na grama pela orla da praia e esperou ansioso. A reestreia no estádio aconteceu no último domingo, no Fla x Flu. Na noite desta quarta-feira, no duelo entre Flamengo e Goiás, pela semifinal Copa do Brasil, novamente mostrará a habilidade que também sonha em envergar durante a mundial de seleções no ano que vem. Sem se importar com cachê da Fifa.

"Eles me convidaram para voltar e gostaram da apresentação. Pediram para vir novamente. Se me aceitarem, espero que possa voltar a ser uma atração fixa. Quem sabe até na Copa do Mundo? Não pedi nada, só a passagem do táxi e uma chuteira. Usei a outra nos dez anos de apresentações no Maracanã. Nunca foi pelo dinheiro, mas para relaxar a mente", disse.

Além do calçado, ganhou uniforme da seleção brasileira do consórcio que agora administra o estádio. A chuteira, porém, ainda é um problema para o ex-lapidador e vendedor de móveis. Ele prefere um modelo usado, que esteja amaciado pelo tempo e não machuque os pés. Nos próximos dias, tentará trocar o novo pelo velho 'com o pessoal lá do Flamengo', clube próximo da sua casa. Segundo o Maracanã S/A, a ideia é que ele se apresente quando quiser. Não há, porém, uma espécie de cachê.

Fuga da Rússia
Ser ovacionado no Maracanã é de certa forma uma espécie de correção no destino do russo naturalizado brasileiro, que chegou ao país com cinco anos. Na adolescência, Jankel fez teste no Vasco e foi aprovado. O pai, porém, não autorizou. Via com preconceito a carreira de jogador de futebol. Queria que ele e os outros seis irmãos estudassem e trabalhassem.

"Sofri, foi difícil. Mas de certa forma, nunca me desliguei do esporte. Sempre jogava peladas. Chegava até a fechar a loja de móveis para ir disputar algum jogo no bairro".

O respeito nos campinhos de terra batida da zona Norte, primeiro local onde morou no Rio, foi conquistado na base da insistência. Imigrante ilegal, judeu, sem saber falar português. Tudo era motivo para que as outras crianças tentassem marginalizá-lo. Com o tempo, o jeito humilde e simpático conquistou dentro e fora dos gramados.

"Eu não falava português, me chamavam de comunista, judeu, russo safado. Só fui entender depois (risos). E levava muita porrada jogando bola, mas persistia. Acabaram respeitando também pela habilidade. Na época existiam os integralistas, muitos 'caçavam' imigrantes ilegais. Minha família teve que se esconder algumas vezes. Foi um período duro".

Dieta com arroz no café
A figura de um senhor de idade avançada, bastante magro, com hábil controle de bola, tornou-se referencial. Mais que saber fazer embaixadinhas, Jankel desperta a curiosidade pela disposição física. O trunfo, segundo ele, está na alimentação saudável e na regularidade dos exercícios – faz caminhada diária de uma hora. O cardápio também tem diversas restrições.

"Não bebo, não fumo e levo uma dieta quase vegetariana. O café da manhã tem lima-da-pérsia, arroz integral e couve. No almoço, arroz integral e legumes e vegetais. No jantar, sopa de inhame. Vez ou outra como um peixe, mas carne vermelha e frango, jamais. Café, leite e açúcar também não", revela.

Amizade com Edmundo
Antes de ficar famoso no Maracanã, o Vasco esteve mais uma vez no caminho do boleiro, que admite ser torcedor do Cruzmaltino. Após se aposentar, Jankel passou a frequentar a praia do Leblon para jogar futevôlei. O local também era reduto de jogadores como Claudio Adão, Edmundo e Renato Gaúcho. As atuações renderam uma indicação ao então presidente do clube de São Januário, Eurico Miranda.

"O Edmundo ficou impressionado quando jogamos juntos na praia e falou com o pessoal do Vasco. Gostaram da ideia e comecei com o show das embaixadas em São Januário. Fiquei amigo do pessoal e fui convidado até para a viagem ao Japão, na disputa do Mundial de Clubes de 1998, contra o Real Madrid. Só depois o pessoal do Maracanã me chamou".

Reforma do Maracanã e doença
Na juventude, Jankel diz que chegou a fazer de 12 a 13 mil embaixadinhas sem deixar a bola cair. Atualmente, a parte física é a principal dificuldade do octogenário. Um câncer de pele em 2011 e o fechamento do Maracanã entristeceram o artista, que não era chamado para se apresentar em outros estádios e estabeleceu a praia como novo palco. Recuperado do problema de saúde, ele elogia as alterações no estádio.

"Durante a reforma foi difícil. Sentia saudade do contato com as pessoas, do carinho. Ai fui para a praia aos domingos, muitas pessoas tiravam fotos, turistas gostavam. Mas agora ele o Maracanã reabriu e ficou fabuloso. Está lindo, fiquei satisfeito".

Depois do 'bullying', da fome em uma viagem de 30 dias para o Brasil, das pancadas e do 'não' paterno ao sonho de ser jogador, poucas coisas incomodam Jankel. Talvez uma bola murcha, o vento – que ele considera pior que a chuva para suas apresentações – e chuteiras novas. Duras e , segundo ele, muito coloridas. Como o Maracanã lotado em dia de clássico com embaixadinhas.

Fonte: UOL

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