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Entrevista Completa: Renato mantém a essência de Rei do Rio: 'Não vejo ninguém me superando'

Quem contava os gols, os títulos e as mulheres bonitas do currículo agora prefere contar de um até dez. É o tempo que Renato Gaúcho costuma usar para respirar fundo e tomar uma decisão. E ultimamente a escolha quase sempre tem sido pela cautela. Aos 51 anos, o ex-atacante não perde a irreverência, mas reconhece que a maturidade o deixou levemente mais sério. Treinador do Fluminense pela quinta vez na carreira, reassume o clube depois de uma temporada complicada para os tricolores. O rebaixamento para a Segundona e a volta para a Série A ainda em 2013 mexeram com o grupo. O técnico trata o assunto como superado, mas ao mesmo tempo não deixa que nenhum de seus jogadores esqueça. 

- Eles sabem, e falei para eles, que todo mundo teve sua parcela de culpa ano passado pelo que aconteceu com o clube e não pode se repetir. E não vai se repetir. Pelo menos de minha parte não vou deixar. 

Renato garante que abandonou o lado polêmico. Aprendeu com alguns episódios famosos, como quando prometeu “brincar no Brasileirão” se o Fluminense conquistasse a Libertadores de 2008. Além da derrota para a LDU na final, o time enfrentou dificuldades para ficar na Série A. 

- O tempo nos ensina isso - admite. 

Em entrevista ao GloboEsporte.com em Mangaratiba, local da pré-temporada do Fluminense, o treinador falou sobre a volta ao clube, da relação com o presidente Peter Siemsen e com Celso Barros, presidente da patrocinadora, e do atacante Fred. 

A exposição da filha, Carol Portaluppi, também foi tema da conversa. Ele até reconhece que perde o sono com ela, mas ao mesmo também sabe que o jeito é respirar fundo. 


- Não posso ficar 24 horas em cima dela. Agora, falo para abrir o olho, é visada. Essas coisas. Filho homem é fácil. Mulher tem que ter cuidado maior.

O Rei do Rio voltou. Um pouco mais contido, mas sem perder a essência. 

Confira a íntegra da entrevista: 

Como estão sendo esses primeiros dias de Fluminense, essa retomada? Você retorna depois de um ano difícil para o clube. Como é assumir após tudo aquilo que aconteceu em relação a rebaixamento para a Segunda Divisão, mas credenciado pelo trabalho no Grêmio, onde foi vice-campeão brasileiro? Acha que isso passou batido nessa virada de ano?

Estou muito feliz por estar aqui. Até porque eu já tive outras passagens, me sinto em casa no Fluminense. Aqui eu conquistei títulos como jogador, como treinador. Já tive várias experiências e, como você disse, pouco se fala desse campeonato. Realmente aqui no Brasil não se dá muita importância a um vice-campeonato. Mas eu acho que falando ou não, importante foi o meu trabalho lá no Grêmio. Não é fácil você conquistar um título brasileiro, não é fácil ser vice-campeão brasileiro também. Acho que o trabalho está aí. Se vão falar ou não, está aí. E agora é procurar fazer, hoje bem mais experiente, bem mais maduro, o mesmo trabalho que tivemos sucesso no Grêmio, procurar implantar aqui.

Você tem um grupo com alguns medalhões, mas também muitos garotos. É o que você considera ideal?

Aqui tem uma garotada de futuro, falei inclusive para o presidente Peter (Siemsen). E eu gosto de trabalhar assim com jogadores mais experientes, como temos aqui, e com os garotos, mesclar o grupo. Agora, quem vai me dar a reposta, se têm condições de jogar ou não, se vão nos ajudar ou não, são eles. Oportunidades eles vão ter. A gente está dando toda a tranquilidade para eles agora nessa pré-temporada, apesar que é um crime o que eles fazem com o jogador. Nove dias, você tem que acelerar muito as coisas, tem que empurrar os caras para dentro do campo com metade das condições. E aí corre um risco muito grande de perder um jogador na pré-temporada em termos de lesão. E até mesmo no primeiro jogo. Mas o calendário é esse, não tem como fugir. A gente procura tomar o máximo de cuidado para perder o mínimo possível de jogadores.

Tudo que aconteceu em relação a rebaixamento, essa coisa de cair e voltar, você sentiu algum efeito negativo ou positivo no grupo? 

Não, não. Eu já falei com eles. Quando se fala em rebaixamento ou não, eles têm que passar a bola para o departamento jurídico. Eles não têm que ficar se desgastando com isso, não é problema deles. O problema é do departamento jurídico do clube. Até porque não foi a CBF que errou, não foi o Fluminense que errou. Quem errou foi a Portuguesa. É um problema jurídico. Eles precisam se preocupar em treinar e jogar. E eu tenho que preparar o grupo. 

Você falou na primeira resposta em maturidade. Está com 51 anos e sempre se notabilizou como jogador e como treinador por declarações polêmicas, que repercutiram muito. Mudou alguma coisa? Volta mais cauteloso?

Não é que esteja voltando mais cauteloso. Estou mais cauteloso. Algumas declarações no passado eu dava porque eu me garantia. Eu entrava em campo. Tinha algumas declarações, sempre no bom sentido, sabia que me garantia porque estava dentro das quatro linhas. Hoje, dependo de um grupo. Estou mais maduro, sou treinador, tenho que dar exemplo. Mas é uma coisa normal que com o passar do tempo qualquer pessoa, em qualquer profissão, vai ficar experiente, vai falando menos, contando até dez antes de dar uma declaração. No momento que colocar uma palavra mal colocada, dessa palavra os caras fazem uma página. Por isso a gente tem que ser bastante cauteloso hoje em dia até porque o tempo nos ensina isso. 

Em 2010 você se colocava como um dos três técnicos mais ofensivos do país. E ano passado no Grêmio recebeu muitas críticas por usar três volantes. O que mudou? Mudou o estilo? Continua dizendo isso? 

Sim. Mas aí a pessoa tem que saber ver o diferencial. Eu gosto de jogar para frente. Lógico, sempre tomando os cuidados defensivos. Meus times sempre foram armados ofensivamente. Agora, para isso acontecer eu tenho que ter as peças. E era uma coisa que lá no Grêmio as pessoas me chamavam atenção nesse sentindo aí. Pô, eu fui atacante. Você acha que não gosto de jogar para frente? Eu gosto. Agora, não adianta querer jogar para frente se você não tem as peças. Aí vai acabar tomando três, quatro lá atrás. Não adianta querer pegar uma Kombi e encarar uma Ferrari. Eu tendo as peças, tendo jogadores para jogar ofensivamente, mas tomando os cuidados defensivos, é lógico que gosto de jogar para frente. A melhor defesa é o ataque. 

E no Fluminense você tem essas peças? 

O Fluminense tem essa qualidade. Lá no Grêmio, quero ver um treinador chegar lá, com o time do ano passado, e colocar o Barcos, o Kleber, o Elano e o Zé Roberto para jogarem juntos. Não tem a mínima condição. Não é pela qualidade técnica deles. Mas todos eles têm mais de 30 anos. Os outros dois cabeças de área vão sair na maca. Ninguém aguenta. Não tem treinador que aguente jogando ofensivamente com jogadores só de características ofensivas. Por isso que eu digo. Se jogar dessa forma, vou fazer um gol e tomar três. Vou fazer dois e tomar cinco. Jogar ofensivamente eu gosto, vocês podem até me cobrar isso. Até porque em todos os times por onde passei, menos o Grêmio agora, mas que eu tentei, eu tentei, e vi que não ia dar, então quem não tem cão caça com gato. E no esquema que a gente armou fomos vice-campeões. E se eu tivesse as peças que eu quisesse, pudesse jogar mais para frente, talvez até poderíamos brigar mais pelo título. Não passamos pelo Atlético-PR na Copa do Brasil justamente com isso. Não tínhamos as peças para jogar para dentro deles. 

Você se considera um técnico consolidado? 

Sim, sim. Todo dia aprendo. Mas me considero um técnico consolidado. Tranquilo. Até porque tudo que já passei, pelos trabalhos que já fiz. Eu acho que o melhor resultado de um técnico são os números. Os números estão aí. Então, contestar o quê? 

Esse ano você tem a chance de se tornar o terceiro técnico que mais dirigiu o Fluminense. É também uma prova disso? 

Não é qualquer um. Se estou voltando pela quinta vez, você volta pela quinta vez para um clube pelos resultados do teu trabalho. Ninguém volta por voltar. No momento que faz mal, pode até voltar uma vez, mas cinco vezes? Não volta. 

Em 2007 e 2008 você viveu seus melhores momentos no Fluminense como treinador. Em 2008, dizia que estava em plena sintonia com patrocinador, presidente e jogadores. Muito se falou que o presidente de agora não queria sua contratação, mas o patrocinador sim. É possível repetir a sintonia daquela época no atual momento? 

O resultado a gente vai torcer para que venha, mas a sintonia tem. Esse negócio que as pessoas falaram que o Peter não queria, não tem nada a ver. Primeiro lugar, respeito a opinião de qualquer presidente se ele desejar outro treinador. Não tem problema. Cada um tem seu gosto. Mas em momento algum foi colocado dessa forma. O problema era a forma de pagamento do clube junto com o patrocinador. Esse foi o único problema que existiu. Até porque eu conversava com eles. Eu já era amigo do Peter antes de ele ser presidente. Em 2007 e 2008 eu conheci o Peter, numa dessas viagens junto com o doutor Celso (Barros, presidente da patrocinadora), eu já conhecia, a gente já se gostava, se dava bem. Nesse tempo todo, a gente se falava, de vez em quando se encontrava. Se falava por telefone. Sempre fui amigo dele e ele amigo eu. Nunca tive problema com o Peter. E ele nunca teve problema comigo. O único problema que houve nessa história toda foi que era a forma de pagamento. Nada mais que isso. A gente ria, brincava nas reuniões, não tinha problema nenhum. 

Celso Barros não estava disposto a investir tanto no time em 2014. Mas quando fechou com você se comprometeu a atender seus pedidos e a investir o máximo possível. É isso mesmo que vai acontecer? 

Dentro do possível, dentro das condições dele, sim. Eu acho que não é porque é o doutor Celso, a patrocinadora, a Unimed. Todo clube no Brasil queria muito um tipo de patrocínio assim. Você vê ali e a Unimed não está há dois, três anos, são 15, 16 anos. Os principais títulos foram com a patrocinadora. Quem não quer um patrocinador que daqui a pouco possa resolver alguns problemas que você tem no grupo contratando jogadores, jogadores de peso. Isso cabe muito pouco ao clube pagar e sim ao patrocinador. Eu sou uma pessoa que fala todo dia com o doutor Celso. E falo sobre jogadores, passo nomes para ele. Agora, se tem condições de trazer ou não é com ele. Quanto mais forte nosso grupo estiver, melhor. Ele quer investir, mas ele também tem um parâmetro. Dentro desse parâmetro, vamos tentar trazer mais jogadores, sim. 

Então você está animado para ter um time perto do que considera ideal. Tem essa garantia dele? 

Meu grupo é bom. Quando cheguei aqui, falei que tecnicamente o grupo do Fluminense é melhor do que o do Grêmio. Eu falei isso lá no Grêmio quando estava lá no ano passado e falei aqui quando cheguei. Tecnicamente, é bem melhor que o do Grêmio. Só que tem um diferencial. O do Grêmio ano passado queria muito mais que o grupo do Fluminense. O Grêmio não tinha qualidade técnica, o grupo do Fluminense tem. Mas o Grêmio queria. É o que falei para eles agora. Querer eles vão querer, mais do que nunca. Porque nós vamos prepará-los na parte física. E a parte técnica eles já têm. Então, se unir a vontade com a parte técnica, é o ideal para um time. E isso vou cobrar deles, estão querendo, estão alegres. Estão a fim. Eles sabem, e falei para eles, que todo mundo teve sua parcela de culpa ano passado pelo que aconteceu com o clube e não pode se repetir. E não vai se repetir. Pelo menos de minha parte não vou deixar. 

Tornou-se um técnico linha-dura? 

Sou treinador que morde e assopra. Se tiver que chamar a atenção, ser um pouco linha-dura, eu vou ser na hora certa, sempre dentro de quatro paredes. Na hora de dar carinho, vou dar carinho. Tudo tem seu momento. Se vai ser uma dura, se vai ser um carinho, quem vai me dar a resposta são eles. Dessa forma que trabalho. Mas eu tenho uma grande vantagem. Fui jogador e conheço a cabeça deles todos. Sei do que gostam e do que não gostam. Sei como tratar, como gostam de ser tratados. Quanto a isso, todo local que trabalhei a primeira coisa que fiz foi unir o grupo. Sei unir o grupo, falo a língua deles. Mas isso não quer dizer que só vou falar a língua deles. Se tiver que falar um pouquinho acima eu vou falar. Mas até para dar uma dura eu sei dar dura sem deixar o cara p..., sem botar o cara para baixo. Pelo contrário. 

Com você os jogadores têm mais liberdade para viver a vida fora do clube? 

Sim. Do portão para fora eles têm a vida deles, não são escravos. Cada um faz o que quer. Agora, do portão para dentro é comigo. Mas se tiver exagerando lá fora e refletir aqui dentro, quem vai perder espaço é o jogador. Eu não cuido de ninguém, eu passo a mão na cabeça da minha filha. São jogadores de qualidade, jogam num grande clube, ganham bem, têm tudo na vida, eles têm que ser responsáveis. Se o cara quiser sair cinco dias por semana lá fora, não vou proibir ninguém, não. Agora, se não render aqui, quem vai perder é ele. Se ele sair e se garantir, problema dele também, ótimo. O cara não pode chegar aqui e achar que pode fazer o que quiser lá fora e se arrastar. Pode se arrastar, mas vai ficar para trás, não vai jogar. Não posso proibir o cara, posso alertar, é o que faço. Se chegar aqui tarde, atrasado, não conseguir treinar, faltar treino, vou botar outro. 

Certa vez você disse que o Fred poderia ir muito mais longe caso se dedicasse mais. Já falou isso para ele? 

Tenho conversado bastante com o Fred, tenho trocado bastante ideias com o Fred, ele sabe da importância dele para o grupo. Isso tudo que estou falando para você falei para ele. Sabe que é ano muito importante de Copa do Mundo para ele. Importante que ele está querendo. Está feliz. Quer jogar. 

Já estabeleceu suas regras? Vai aplicar punição por excesso de peso? 

A cartilha saiu, meu amigo. E a partir da outra terça-feira é no bolso, de todo mundo. Aí tem as multas, as regras. 

Houve inflação em relação ao Grêmio? Lá cobrava R$ 500 por quilo em excesso. 

Ah, tem. Tudo sobe, né? As regras vão ser deles, estão aí, discuti as regras com eles, algumas eu impus. Então a cartilha começa na outra terça, tem que dar um tempo para os caras entrarem no peso, nas regras, sentirem tudo. Não adianta trazer agora porque voltaram acima do peso. O dinheiro é para eles. Eu multo, eles têm os representantes deles, dois ou três, abrem uma conta, e o dinheiro vai para a conta deles. No fim do ano, fazem o que quiserem com o dinheiro. Dividem, dão para os funcionários. É com eles. Não vejo um real desse dinheiro. Inclusive se eu pisar na bola pago caixinha. Se chegar atrasado sou multado. E eu não tenho direito a restituir (risos). Todo trabalho tem regras. Se cada um fizer o que quer, não vamos a lugar nenhum. O cara pode chegar atrasado, tem que saber o que aconteceu. Pode ser problema de família. Trânsito? Todo mundo sabe que tem trânsito. Vai ser multado. Se estiver acima do peso, vai pagar, meu filho. Eu estou dando esse tempo, todos estão afinando, a nutricionista está fechando a boca deles também. 

Você falou que só passa a mão na cabeça da sua filha. Sua filha cada vez mais está em evidência. São as redes sociais, são as páginas de fofoca. No Grêmio ela te acompanhava mais. Preferiu evitar no Fluminense? Foi ordem sua? 

Ela está de férias, vai para Miami. Ontem (domingo), ela passou aqui, até xinguei ela porque ela estava voltando de Angra e passou por aqui (Mangaratiba). Disse que me viu trabalhando, não quis parar porque eu ia xingar, atrapalhar. Ia só dar um beijo nela. No Grêmio, ela estava na faculdade, tinha os interesses dela. Ela dá um espirro e sabe que... 

Está tirando o seu sono? 

Eu aconselho ela, falo para ela as coisas. Mas também não posso ficar 24 horas em cima dela, tenho meu trabalho. Mas explico, falo, troco ideias. Ela entende, é inteligente. Ela não me dá trabalho. Agora, falo para abrir o olho, é visada. Essas coisas. Filho homem é fácil. Mulher tem que ter cuidado maior. Mas esse cuidado eu tenho com ela. Ela sabe se colocar.

No jogo do Zico a torcida do Flamengo pegou no seu pé... 

Vai pegar sempre. 

A culpa é do gol de barriga? 

É, porque no dia a dia os flamenguistas me amam. Até no dia da minha apresentação (no Fluminense) tirei foto com um no hotel. Só que lá (Maracanã) é a maneira de pegar no pé, mas no fundo eles gostam de mim. Até pelo que fiz pelo próprio Flamengo. Levo na boa, sei que gostam de mim. Sou profissional. Quando era jogador, vestia a camisa do Flamengo e me dedicava totalmente. Fui campeão de um lado, campeão do outro. Joguei no Botafogo. É difícil para um jogador em três grandes do Rio, ser ídolo das três torcidas, só não joguei no Vasco, mas fui ídolo como treinador do Vasco. Muito difícil ser querido pelas quatro torcidas. No momento em que eu estiver de um lado, as outras vão provocar. Quando cruzo com flamenguistas, pedem fotos, autógrafos. Mas no estádio o que eu vou fazer? 

O Rei do Rio está de volta? 

(Pausa e sorriso) Essa é uma história de quando eu jogava. Mas não vejo ninguém me superando ainda, não (risos). 

Você é o técnico mais expressivo dos quatro do Rio? O que mais rende assunto? 

Atitude eu sempre vou ter. Umas das características de uma pessoa é ter atitude. Polêmico eu deixei de ser, mas também não vou ficar engolindo só sapo. Procuro me defender. Sei que sou cobrado de tudo que é lado, até porque tudo estoura no treinador. Agora, gosto de absorver todos os tipos de problemas. Gosto de resolver para saber o caminho que tomar. E isso não é para qualquer um. Para você querer todos os problemas, tem que se garantir para resolver. Para resolver, tem que achar que é bom. Eu me meto em conversa com diretoria, com médicos, fisioterapeutas, preparadores, jogadores. Tudo passa por mim. Quero saber de tudo. Sei o caminho certo para resolver as coisas. 

Parece que você vem tentando desfazer a imagem de mulherengo. Está mais sossegado? 

Já passei por isso, já passei por isso (risos). Estou mais tranquilo. Todo mundo tem sua fase, sou treinador hoje. Deixa para eles (jogadores). 

Na passagem recente pelo Grêmio abandonou uma coletiva porque um celular tocou. Não foi a primeira vez, né? 

Sempre me incomodou. Aqui no Fluminense deixei duas (coletivas) para trás. Eu acho que telefone celular é falta de respeito. Se você está perguntando e paro para atender o meu, é falta de respeito. Gosto de silêncio porque me perco na resposta quando tem barulho. Na última, estava tudo quieto, tocou o telefone alto no bolso do rapaz. Era muito alto. Ele apertou o botão e parou. Dez, quinze segundos depois, tocou de novo. Continuei. Tocou a terceira vez, não satisfeito, ele atendeu e falou alto na minha frente. Os colegas reclamaram. Coletiva tem que ser em silêncio. Podem perguntar o que quiserem, mas tem que ter respeito. Na coletiva, silêncio. Ou vou me perder na resposta. Aí coloco algo mal colocado e ganho um problema. 

Mas a paciência está em dia? 

Ih, eu sou muito (paciente). Conto até dez, minha paciência está muito tranquila. Aconteceu de novo depois lá, cinco dias depois, a mesma coisa. Aí parei, falei que estava de bom humor. Se eu abandono, sou mal educado. Chega na coletiva, desliga os celulares. Mas paciente eu estou muito. Tanto é que estou te atendendo aqui na boa, sol para c..... (risos). 

É seu melhor momento profissional e pessoal? 

Estou preparado há um bom tempo, mas todo dia aprendo mais, fico mais experiente. Cada vez mais cascudo. Acho que é o dia a dia. Eu aprendo com os jogadores e falo para eles. Aprendo com garoto, sempre aprendo todo dia. Tenho muito mais a ensinar, mas aprendo. O cara que fala que sabe tudo não sabe nada. O cara que está aprendendo é inteligente. O cara que acha que sabe tudo está ferrado.

Fonte: Globo Esporte

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