Renato Gaúcho diz ter sido melhor C. Ronaldo e ignora piadas com filha

Grande personagem do futebol brasileiro, o ex-atacante e agora novamente técnico do Fluminense Renato Gaúcho não abandona a autenticidade mesmo aos 51 anos de idade. O treinador conversou com o UOL Esporte e disse ainda trabalhar no futebol por não ser tão rico quanto ex-colegas como Romário e Edmundo. Mas garantiu ter jogado mais que Cristiano Ronaldo, eleito na última segunda-feira o melhor jogador do mundo pela FIFA.

"Tenho certeza [que fui melhor]. Para achar você tem que ter alguma dúvida. Joguei mais que ele, sim. Queria trocar, ele jogar onde joguei e, eu, no Real Madri, na Europa. Ele disputando Libertadores, Brasileiro, e eu, o Espanhol. Joguei mais que ele, é um fato", disse Renato Gaúcho, que, no entanto, admitiu que, para ele, a diferença não foi tão grande assim.


"[Joguei] um pouco mais, um pouco mais só", admitiu o ex-atacante, de bom humor.

Nem mesmo as piadas sobre a beleza da filha Carol, de 19 anos, incomodam Renato Gaúcho, que assumiu o Fluminense nos últimos dias do ano passado e tem sua estreia marcada para sábado, pelo Campeonato Carioca, contra o Madureira. Para ele, o assédio sobre ela é algo normal.

"Não me incomodam [as brincadeiras]. Se eu ou ela formos ligar para todas as brincadeiras, não vamos viver... O que importante é o que faço, o que ela faz. Estamos sujeitos a piadinhas, mas isso não me atrapalha, muito menos a ela. Nada me tira do sério. As pessoas vão brincar, fazer boas e más brincadeiras. Pessoas públicas, a melhor coisa é ignorar. Não vamos deixar de viver. Se não terei que botá-la no colo ou mandar para outro planeta. Ela tem uma vida, é um ser humano", afirmou Renato, que disse não ver problemas em ter a filha no ambiente do futebol.

"Não, não me incomoda [a presença de Carol no meio do futebol]. Mas também não pode ser toda hora. No último domingo, por exemplo, estava treinando e ela estava passando por Mangaratiba, voltando de Angra dos Reis com as amigas. Queria que ela parasse, mas ela preferiu evitar porque estaria a imprensa e não queria atrapalhar, passou direto. Ela é Renato Futebol Clube. Tem um pai famoso, irá aos jogos, lógico que vai. Ela é minha filha, qual o problema? Ela ir ao Maracanã torcer pelo pai no camarote do Celso Barros, qual o problema? Por que a minha filha não pode aparecer?", questionou o treinador do Tricolor.


Para técnico, acomodação foi o problema em 2013

Dentro de campo, Renato Gaúcho já tem uma boa pista do que pode ter acontecido para a má campanha do Fluminense no ano passado após os títulos brasileiros de 2010 e 2012. Para ele, a questão gira em torno de uma certa acomodação que o elenco demonstrou durante o último nacional.

"É a vontade [a diferença]. De repente, por eles terem conquistado dois brasileiros, tenham se acomodado e deixado para última hora. Pensaram que iriam lá na última hora e resolveriam", analisou Renato. "No futebol você não depender de ninguém, senão está f*****. Tem sempre que estar brigando lá em cima. Se deixar para a última hora, complica. O doutor Celso Barros me ensinou uma coisa: o primeiro jogo é o mais importante; depois, o segundo jogo é o mais importante; depois, o terceiro, e assim por diante. Todos os jogos tem a mesma importância", ressaltou.

"O grupo é muito bom, tem jogadores de seleção, diferenciados, uma garotada boa. É difícil um grupo que nem esse chegar àquela situação em que esteve no Campeonato Brasileiro do ano passado. Então falei para eles no primeiro dia que só a qualidade não resolve, tem que ter vontade. O grupo do Fluminense era muito superior ao do Grêmio [vice-campeão em 2013], mas o do Grêmio tinha mais vontade. Querer jogar só com a parte técnica não dá. Faltou pegada", concluiu.

Provocação aos 'ricos' Romário e Edmundo

Questionado de porquê somente ele hoje trabalha como técnico de uma geração de grandes atacantes do futebol carioca, Renato Gaúcho mostrou o habitual bom humor para explicar a situação. Segundo ele, a questão é meramente financeira.

"Eu sempre tive esse sonho de virar treinador, dessa galera toda. Eu preciso trabalhar, eles não precisam, estão ricos, por isso estão na vida boa. Romário como deputado, o Edmundo como comentarista. Eles curtem a vida. Quem tem que correr atrás sou eu. Gostaria de ter o dinheiro deles, mas tenho que trabalhar", brincou Renato.

"Eles tem muito dinheiro, por isso não trabalham tanto. Eu trabalho feriado, sábado, domingo, trabalho estressante. Mas é a vida, tenho que correr atrás", completou. "Mas Rei do Rio não tem como tirar. Estão lá as fotos, o único que foi fotografado como Rei do Rio fui eu. Então acabou. Se aparecer outro que consiga me superar, parabéns. Até então não apareceu", provocou.

Fonte: Terra