Após manifesto de Fred e pressão interna, Flu corta ajuda às organizadas


A pressão de Fred e de diferentes grupos políticos surtiu efeito, e a direção do Fluminense recuou. A partir desta terça-feira, toda a ajuda às torcidas organizadas do clube está cortada – em três anos foram R$ 3.887,057,40entre ingressos, ajuda de custo e viagens, inclusive com pagamento de passagens aéreas. A nova realidade, que só pode ser alterada pelo Conselho Deliberativo, que se reunirá em maio, foi confirmada de forma oficial em comunicado publicado no site do Tricolor. O clube informa ainda que não fornecerá mais cortesias a membros dos conselhos Deliberativo, Fiscal e Diretor. 

"Em reunião do Conselho Diretor realizada na noite desta segunda-feira, 14, a diretoria do Fluminense Football Club decidiu, com base nos eventos ocorridos na relação do clube com as torcidas organizadas, que não concederá mais ingressos e nem ajuda em viagens para as mesmas. Além disso, o clube passa a não fornecer cortesias para os Conselhos Deliberativo, Fiscal e Diretor. As decisões, aprovadas por unanimidade no Conselho Diretor, passaram a valer imediatamente após a reunião. 

O clube já vinha estudando a hipótese. Além disso, a medida ainda faz parte da política de redução de custos do clube. O Conselho Deliberativo ainda será consultado para a homologação da decisão."

A cúpula do Fluminense se reuniu na noite desta segunda-feira, e o presidente Peter Siemsen tratou do tema de forma prioritária com seus vice-presidentes. Não houve resistência na decisão.

É o segundo ato de uma mudança que começou a ser ensaiada no começo do ano. Ao entrar em acordo com as organizadas, o clube decidiu ceder 1,2 mil ingressos para os jogos com o mando de campo do Fluminense. As ajudas de custo prosseguiam: em janeiro e fevereiro, somaram R$ 70 mil. Os episódios recentes, com protestos nas Laranjeiras e ameaças a jogadores, serviram para rever a relação estreita. Os números vieram à tona com a divulgação de um detalhado levantamento do dinheiro destinado às organizadas de janeiro de 2011 a fevereiro de 2014. A partida contra o Horizonte, no último dia 10, teve a ajuda reduzida para 400 ingressos.

Desde que se manifestou em uma rede social contra as organizadas, definida como ‘marginais travestidos de torcedores’ e ‘bando de à toa’, Fred se tornou o porta-voz do repúdio aos excessos destes torcedores. O jogador criticou a ajuda financeira e revelou ter sido procurado pelo presidente Peter para tratar do tema. 

- Eu sou completamente contra (ajuda financeira do Flu à torcida). E o presidente Peter e o vice Ricardo Tenório vieram conversar comigo sobre isso, falando que eles estavam estudando uma solução para o problema. Também gostariam de uma ajuda maior de todo mundo por fora das autoridades, para ver uma lei onde proibisse o clube a dar ingresso. Acho que primeiro tem que partir da gente. Sei que na nossa diretoria são pessoas do bem, só que quando eles entraram já acontecia isso. Mas para mudar você tem que fazer. Todas as diretorias têm que cortar esse elo com o torcedor - afirmou Fred, em entrevista ao Esporte Espetacular, domingo passado. 

O mandatário também sofreu pressão de grupos políticos, especialmente da Flusócio - que apoiou Peter na primeira e também na segunda eleição, e tem poder de voto. A relação começa a rachar com a atual diretoria.

Fonte: Globo Esporte
Texto: Hector Werlang
Foto: Reprodução Internet