Fred desabafa contra organizadas e diz: 'Amo o clube'


Aos 44 minutos do segundo tempo, Fred correu para comemorar seu único gol na vitória do Fluminense por 5 a 0 sobre o Horizonte. Ergueu o braço e, com o dedo indicador para o alto, fez sinal girando a mão indicando que o gol era para todos presentes ao Maracanã. Mas tiveram algumas exceções implícitas, sem a necessidade de citar. Na comemoração, o atacante tirou a camisa e jogou no setor Leste, onde estavam os torcedores comuns, distante do setor Sul, onde ficam as torcidas organizadas. O camisa 9 não teve boa atuação, provocou vaias num lance em que tentou uma cavadinha, e acabou dividindo os tricolores entre apoio e protesto.

No setor Sul, em meio aos torcedores da "Young Flu", apareceu um chinelo dourado com o número nove estampado. Rotulando o atacante do Tricolor e da Seleção como "chinelinho". Só após o gol marcado no fim do jogo pelo atacante, que ainda não repetiu suas grandes atuações nesta temporada, é que o clima ficou mais ameno. E do mesmo setor viram gritos de "o Fred vai te pegar". Mas a paz ainda não foi selada na conturbada relação. Durante a semana, Fred teve foi cercado por membros de uniformizadas e depois usou as redes para manifestar sua contrariedade com o episódio. Na saída de campo, com a classificação para a segunda fase da Copa do Brasil, ele fez novo desabafo e lembrou outros episódios em que foi alvo da torcida.

- Eu amo esse clube, essa verdadeira torcida. O meu desabafo todos sabem para quem foi. Tem muitas torcidas que vêm aqui para apoiar, para se divertir, para desabafar também, o estádio é para isso. Mas temos presenciado cenas de terror. Já presenciei em 2009 lá em Curitiba (torcida do Curitiba invadiu o campo após o rebaixamento); a torcida invadir o campo para pegar a nós jogadores (também em 2009, nas Laranjeiras); em 2011 fui perseguido por algumas pessoas que se falam torcedor (ao ser flagrado bebendo caipirinhas de saquê). Nunca fui a favor desse tipo de comportamento. Conto com o apoio dos outros jogadores, clubes, imprensa, para a gente ver no estádio o torcedor criança, adolescente, namorado e namorada. Isso que deixa a gente feliz.

Assim como seu texto divulgado nas redes sociais, o desabafo de Fred após o jogo foi longo... Citando diversas vezes a palavra "alegria" ao se referir ao futebol, o atacante condenou os ambientes de crise criados após uma derrota e alertou que o problema de violência entre torcida e jogadores não é exclusivo do Fluminense. Ele cobrou que o tema não seja esquecido.

- Quero deixar bem claro, não é por causa do jogo, é por causa da situação, por tudo o que aconteceu. Eu sou um cara que quando tenho que falar alguma coisa eu falo. O assunto que expus não foi um problema só do Fluminense, deveria se debater não só aqui, mas no Brasil inteiro. Todo mundo sofre por isso. Não só os jogadores, mas os torcedores do bem, famílias... O futebol é isso, alegria. Quando a gente ganha é maravilhoso. Mesmo que não seja das melhores coisas, quando empata ou perde tem que entender. O esporte é coisa alegre, quem vence, vence por mérito, e quem perde não vira péssimo atleta, péssimo exemplo. A gente entende também que vem desde o ano passado, a insatisfação do torcedor. Mas deixar bem claro para que não continue isso no Brasil inteiro, esse tipo de violência. Quando o adversário ganhar, saber enxergar os méritos deles, assim que tem que ser, alegre, com companheirismo.

A goleada pôs fim aos dias difíceis desde a derrota por 3 a 1 no jogo de ida, no Ceará, que culminou na demissão do técnico Renato Gaúcho (após a eliminação no estadual) e no desentendimento entre o presidente Peter Siemsen e Celso Barros, homem que comanda a Unimed-Rio, contrário à troca de treinador. O Fluminense está classificado para a próxima fase da Coipa do Brasil e vai enfrentar o Tupi-MG, que eliminou o Juazeiro sem necessidade do jogo de volta ao fazer 2 a 0 fora de casa. A CBF ainda vai marcar as datas da próxima fase da competição.

Fonte: Globo Esporte *Matéria teve seu título alterado
Foto: Ricardo Ayres/Photocamera