Ricardo Tenório deixa o Flu, critica guerra de egos entre Peter e Celso e Mário Bittencourt assume o cargo

Dirigente ficou apenas quatro meses à frente da pasta. Figura marcante no julgamento da portuguesa, advogado assume.

Ricardo Tenório não é mais vice-presidente de futebol do Fluminense. Nesta quinta-feira, após reunião com o presidente Peter Siemsen, ficou decidido que ele deixará a pasta. Figura marcante no julgamento da Portuguesa para a Série B no fim de 2013 por conta da escalação irregular de um jogador, Mário Bittencourt, advogado responsável por representar o Tricolor na área trabalhista e desportiva, e diretor executivo do departamento jurídico do clube, assume o cargo. 

A saída de Tenório se dá ao mesmo tempo da contratação de Paulo Angioni para o cargo de diretor de futebol. Além disso, havia uma desgaste na relação com a patrocinadora do clube por conta das dificuldades de contratações de jogadores. 

Nesta segunda passagem pelo clube, ele ficou apenas quatro meses à frente do futebol tricolor e enfrentou algumas crises. Primeiro, dificuldade para concluir a contratação do atacante Walter após o anúncio no site oficial tricolor. Depois, a saída do diretor de futebol Felipe Ximenes por determinação do presidente da patrocinadora, Celso Barros. 

No início do mês passado, Peter decidiu mostrar força na guerra fria com Celso e demitiu Renato Gaúcho. Segundo o presidente, a decisão também foi de Tenório. Cristóvão Borges foi o escolhido pela dupla para assumir o cargo. 

- Aceitei o convite do Presidente do Fluminense, Peter Siemsen e da patrocinadora, Celso Barros para assumir a Vice-Presidência de Futebol imbuído do propósito de encontrar os meios ideais para desenvolver um trabalho capaz de melhorar o desempenho do time, como aconteceu em 2009. Apesar do pouco tempo à frente da função, verifico que no modelo atual não conseguirei agir nem atuar da forma que entendo ser útil ao Fluminense. Então, numa conversa franca com o Presidente do Fluminense pedi a minha exoneração e registrei o meu desejo de que o Fluminense encontre o melhor caminho para enfrentar os desafios que estão colocados diante do time e do clube. Aproveito para agradecer a todos os funcionários do departamento de Futebol pelo apoio nesse período - disse Tenório, via nota oficial divulgada pelo clube. 

Na primeira passagem, ele também durou pouco tempo no clube. Ficou de setembro de 2009 a janeiro de 2010 na função de vice de futebol.

Além da crise entre clube e patrocinador, o Fluminense não conseguiu fazer contratações de impacto nos primeiros meses de 2014. Além de Walter, chegaram apenas o lateral-esquerdo Chiquinho e o volante Edson. 

Mário Bittencourt deve se afastar do escritório de advocacia

Mário Bittencourt advoga para o Fluminense há 15 anos. Em 2009, foi chamado para trabalhar no departamento de futebol, ao lado de Ricardo Tenório, que retornou o clube em 2014 para ser vice de futebol. Ambos fizeram dobradinha de sucesso fora de campo na arrancada tricolor no Brasileiro daquele ano, quando a equipe conseguiu se livrar do rebaixamento.

Contudo, o advogado ganhou maior exposição no fim de 2013 ao participar dos dois julgamentos no STJD que condenaram a Portuguesa e o Flamengo a perder quatro pontos no nacional, o que livrou o Tricolor da queda. Em sua participação no julgamento do Pleno, no dia 27 de dezembro, chegou a citar um trecho do livro “Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry e publicado em 1943, ao pedir a condenação dos clubes.

Ricardo Tenório critica guerra de egos entre Peter e Celso: "Se engalfinham"

Vice de futebol encerra segunda passagem pelo Flu apenas quatro meses após assumir e diz que crise entre clube e parceiro é permanente: 'É muita vaidade'

A segunda passagem de Ricardo Tenório pela vice-presidência de futebol do Fluminense durou apenas quatro meses. Tempo suficiente para o dirigente definir que a guerra fria entre o presidente do clube, Peter Siemsen, e o presidente da patrocinadora, Celso Barros, deixa o Tricolor em estado de inércia. Tenório diz que decidiu sair das Laranjeiras antes que entrasse em processo de fritura. Na visão dele, a postura do mandatário diante do parceiro e as imposições de Celso geram desgaste excessivo e são prejudiciais. 

A interferência de Celso Barros no futebol do Fluminense desencadeia uma queda de braço atrás da outra entre o patrocinador e a diretoria. Tem sido assim desde o primeiro mandato de Peter, que começou em 2011. No período, conflitos entre as partes foram expostos e tumultuaram o ambiente do clube. Uma batalha de egos, segundo Tenório. 

- Os presidentes se engalfinham. Não consigo desenvolver o que acredito dentro desse modelo. Em reino dividido, nada prospera. Não posso aceitar ouvir situações que deixam o Fluminense, enquanto instituição, em segundo plano. É muita vaidade pessoal. E aí, como faz? Minha saída não é uma saída contra o patrocinador. Ele investe, tem que participar da mesa de negociação, sentar, dar opinião mesmo. Mas o Fluminense também. Como ele mesmo (Celso Barros) disse outro dia, o Fluminense tem que ter vida própria. Tem que sentar na mesa não com pires na mão, mas fortalecido e não ficar pedindo ajuda. É uma parceria, não é uma ajuda. É uma instituição inserida no futebol, que movimenta milhões. Como a situação está, é difícil. Não é perene, oscila muito. Uma hora é campeão, aí vão defender o modelo, mas também quase foi rebaixado nesse modelo. Não é garantido que tenha evolução. Vejo a coisa estacionada, com espasmos. Uma hora para cima, outra hora para baixo. Sempre no nível que não evolui. É complicado. Não consigo enxergar uma melhora – disse Tenório ao GloboEsporte.com. 

A saída de Tenório se dá ao mesmo tempo da contratação de Paulo Angioni para o cargo de diretor de futebol, com o aval de Celso Barros. Havia uma desgaste dele na relação com a patrocinadora do clube por conta das dificuldades de acertar com reforços. Além de Conca e Walter, só chegaram nomes para compor o grupo: o meia-atacante Chiquinho e o volante Edson. 

Quando decide abrir a torneira e investir, Celso quase sempre impõe suas vontades. Recentemente, travou a contratação de mais reforços expressivos para a temporada. O motivo: Celso queria o retorno do diretor executivo de futebol Rodrigo Caetano às Laranjeiras e só investiria pesado novamente se fosse atendido. Não foi. Para mostrar força, Peter decidiu demitir Renato Gaúcho no início do mês passado. O treinador contava com o respaldo do parceiro, tinha quase todo o salário pago pela Unimed, mas caiu. Antes dele, o diretor de futebol Felipe Ximenes havia sido alvo do racha. Por determinação de Celso, acabou demitido apenas um mês depois de assumir o cargo. 

- Tem coisas em que existe a vaidade, fica personificado. Um mandou outro embora, o outro tem que mandar outro embora. Foi o caso do Ximenes, do Caetano, do Renato. Não vou esperar a hora que vão me mandar embora. Estou aqui para ajudar o clube, e ajudar o clube é defender o investimento da patrocinadora. Contratações que têm que acontecer e aconteceram. Renovações que têm que acontecer e devem acontecer – afirmou Tenório. 

Antes dos casos Ximenes e Renato Gaúcho, o peso das decisões de Celso Barros também prevaleceu em outra ocasião recente. Definida a demissão de Abel Braga, no fim de julho de 2013, a escolha do novo treinador novamente ficou entre um nome preferido da patrocinadora e um do presidente Peter. Vanderlei Luxemburgo, nome de Celso, foi contratado. No caso da contratação de Walter não foi diferente. Tanto que as conversas iniciais com o atacante e seus agentes não passaram pelo clube, que desconhecia o interesse e tratava o caso como cavada em um primeiro momento. Foi o patrocinador que tratou de introduzir o assunto. 

No episódio da demissão de Renato, Celso Barros classificou Peter como “covarde” e chegou a colocar o futuro da parceria em xeque. Como o contrato será revisto no fim do ano, não descartou encerrá-lo antes do término. O vínculo termina no fim de 2016. 

Apesar do tom ameaçador de Celso em várias entrevistas, no fim do mês passado o mandatário tricolor recuou, elogiou a parceria e disse que tem falado com Barros. De fato, segundo o GloboEsporte.com apurou, dois encontros ocorreram recentemente. O último num jantar na nova casa de Peter, no Itanhangá, bairro da Zona Oeste do Rio. Na ocasião, ensaiaram uma reaproximação e buscaram entendimento. Conversaram sobre renovações de contrato de alguns jogadores, contratações e o trabalho de Cristóvão Borges. 

Fonte: Ge
Texto: Hector Werlang e Richard Souza
Fotos: Nelson Perez / Fluminense FC