As curvas de Walter: sobrepeso, falta de gols, abalo emocional e dinheiro

Não é só o sobrepeso de Walter que preocupa a diretoria do Fluminense. O futuro do atacante no clube também exige atenção. É um caso que vai além do desempenho dele no campo. Envolve dinheiro e as condições psicológicas do camisa 18, que tem contrato até o fim do ano que vem. Confirmado no time que enfrenta o Criciúma neste sábado, no Maracanã, às 18h30, Walter ganha uma nova chance depois de pouco mais de um mês. Ela chega poucos dias depois de ele reclamar da falta de oportunidades com Cristóvão Borges.

O jogador foi contratado no início do ano por uma determinação do presidente da patrocinadora, Celso Barros. Ele exigia a chegada de Walter, que havia se destacado pelo Goiás em 2013. Até na contratação de Renato Gaúcho, Celso deixou claro que o treinador teria de trabalhar com o atacante, famoso pelos gols, mas também pelos muitos quilos a mais. Renato aceitou e adotou Waltinho, como carinhosamente o chamava. 

Pelo acordo de empréstimo feito com o Porto no início do ano, o Fluminense se compromete a adquirir 25% dos direitos econômicos de Walter até 31 de dezembro. Aquisição que pode ocorrer de duas formas: ou paga R$ 6,2 milhões ou cede direitos econômicos de dois jogadores da base escolhidos pelos portugueses, o que é mais provável, já que o Tricolor vive situação financeira difícil. 

Os dois atletas ainda não estão definidos. Na época da contratação de Walter, os dirigentes do Porto manifestaram interesse em ter Robert e Kenedy, que hoje estão no grupo principal. O Fluminense não aceitou, ofereceu outros nomes, e o impasse ficou para ser resolvido posteriormente. 

Na primeira temporada pelo Fluminense, Walter recebe cerca de R$ 180 mil. Na virada do ano, a remuneração sobe para a casa de R$ 250 mil. O clube paga 50% do valor, e a Unimed fica com a outra metade. Caso não queria cumprir o ano de contrato que resta, o Tricolor terá de arcar com o saldo do contrato, o que representaria jogar dinheiro fora. Outra alternativa seria conseguir uma rescisão amigável. O Porto detém 50% dos direitos econômicos. O restante é de um fundo de investimentos. 

Altos e baixos: no campo e na cabeça

Walter tem 32 jogos e noves gols pelo Tricolor. Pouco para o que o Fluminense esperava do atacante. Celso Barros bancou a contratação porque queria uma sombra para Fred. Já o clube viu no jogador a possibilidade de ter um sucessor do camisa 9, que poderia deixar as Laranjeiras se fizesse uma boa Copa do Mundo. Mas nada disso ocorreu. Walter até começou bem, mas ainda não vingou. E Fred foi mal no Mundial. 

Internamente, há quem trate a contratação como um erro. Isso porque nove meses depois ela não deu resultados. Além da questão física, a cabeça de Walter é uma preocupação constante. Pelo menos três vezes em 2014 ele reclamou publicamente por ficar no banco. Dentro dos muros das Laranjeiras, não foram poucos os dias em que ameaçou até deixar o clube. 

Certa vez, disse que estava com um grave problema particular e pediu ajuda psicológica. Pouco depois de uma conversa com Renato Gaúcho, técnico na época, saiu sorridente do papo e foi trabalhar normalmente. No tempo em que esteve no clube, aliás, Renato assumiu a condição de psicólogo particular do atacante, que também tinha à disposição um grupo de profissionais especializados que presta serviço ao Fluminense. 

Outro episódio, desta vez envolvendo o empresário do jogador, Teo Fonseca, chamou a atenção dos dirigentes tricolores. O repasse do salário atrasou em um dia, e Walter disse que iria embora. Ocorre que o Fluminense deposita o dinheiro na conta de uma empresa da qual o agente do jogador é sócio, e a quantia é repassada a Walter. Para conter o impulso do camisa 18, o clube teve de procurar Teo Fonseca para que o caso fosse esclarecido. 

Nos bastidores do Tricolor, preocupa o fato de Walter não mostrar maturidade para passar por situações como as citadas acima. São episódios que afetam o atacante de forma significativa. Além disso, sempre que fica inativo entra em depressão e se descuida. 

- Tinha largado um pouco de mão e agora foquei de novo. Vi que estava só me atrapalhando. Era feio para mim, pelo jogador que sou. A ajuda da minha esposa também foi muito importante. E essa chance apareceu no momento em que estou passando por esta mudança de pensamento. Vou continuar firme neste objetivo para começar jogando e ir bem - disse o jogador ao site oficial do clube. 

Walter tem só 25 anos. Até chegar ao Fluminense, passou por Inter, Porto, Cruzeiro e Goiás. Um currículo longo e cheio de curvas. No corpo e na mente.

Fonte: Ge
Foto: 1ª Nelson Perez/Fluminense, Divulgação - 2ª Fernando Cazaes / Photocamera
Texto: Richard Souza

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