Osvaldo relembra hábito estranho na Arábia e conta por que não foi à Europa


A rotina de brasileiros no exterior rende histórias inusitadas. E Osvaldo não foge à regra. O atacante do Fluminense defendeu o Al-Ahli Jeddah, da Arábia Saudita, e teve que encarar hábitos estranhos no dia a dia com os companheiros de time. O que mais marcou foi o fato de, após os treinamentos, todos atletas entravam no vestiário e comiam arroz com carne de cordeiro. O inusitado (e estranho) é que a alimentação se fazia com as mãos. E com tigelas coletivas.

"Eles têm uma cultura de comer logo que acaba o treino. Arroz com carne de carneiro. Eles gostam bastante. O problema é que eles comem com as mãos. Foi uma situação que não vou mais esquecer, né?", comentou Osvaldo em entrevista ao UOL Esporte.

"Era uma fileira de umas sete bacias com carneiro dentro os 30 jogadores sentavam ao redor e com a mão pegava e comia. Logo no primeiro dia que passei por isso fiquei meio desconfiado, mas um companheiro meteu a mão e jogou na minha direção. Para não fazer desfeita acabei comendo. Uma situação constrangedora, mas acabei comendo. No começo não ia comer, mas acabei gostando", completa o atacante do Fluminense.

O período na Arábia não se resumiu apenas às curiosidades extracampo. Osvaldo foi campeão pelo Al-Ahli Jeddah, mas viu sua condição física se esvair. O atacante explica que a mudança de treinamentos foi fundamental para que isso ocorresse e afirma que somente agora, após meses de Fluminense, é que está recuperando a velha forma.

"Muda muito porque a programação é totalmente diferente. Para começar temos que treinar a noite. Ficava o dia inteiro em casa, com muito tempo para a família. Mas por outro lado perdia muito na parte física. Eram treinos de 30min, 40min no máximo. Conseguia me condicionar mesmo era nos jogos. Acabei perdendo um pouco da parte física. Não tive a pré-temporada. Mas a passagem foi muito boa, pois conquistei títulos. Agora é pensar no Fluminense para que possa dar alegria aos torcedores", disse o jogador.

Confira outros trechos da entrevista:
Período na Arábia

"Um país muito fechado. A cidade que eu morava, Jeddah, era de praia, uma cidade mais tranquila comparada com Riad (capital). Gostei muito, mas claro que é muito diferente. Tinha muitas opções para fazer. Passagem foi boa".

Alimentação, comunicação...

"Dava para me virar no inglês, pois eles também falam muito lá. Eu aprendi na época dos Emirados Árabes, onde morei um ano. Aprendi um pouco. De fome a gente não morre, né? Fazia alguns gestos, apontava o que queria comer".

Melhor momento da carreira no São Paulo?

"Onde passei, vivi grandes momentos, Fortaleza em 2008, quando fui vendido para os Emirados. No Ceará também fui bem, apesar da equipe ter sido rebaixada. No São Paulo foi onde apareci para o futebol brasileiro e mundial. Grandes equipes como Roma, em 2012, veio com proposta para me levar. Depois o Shaktar e Metalist. O São Paulo me deu mais visibilidade. Cheguei à seleção e ganhei títulos. Foi uma passagem muito positiva".

Arrependimento em deixar o São Paulo?

"Meu contrato estava acabando em 2014 e naquela situação de renova ou não renova, chegou uma proposta da Arábia. Financeiramente pesou muito. Atleta profissional quer dar uma estrutura para sua família. Isso pesou e optei em ir para lá. Não me arrependo. Estou em um grande clube que é o Fluminense e é dar continuidade no trabalho e voltar a mostrar um grande futebol".

Fonte: Uol
Foto: Bruno Haddad/Fluminense FC
Texto: Bernardo Gentile